Escola – Espaço para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social

Escola – Espaço para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social

Escola – Espaço para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social

Muitas pessoas acreditam que as escolas devem focar apenas no desenvolvimento cognitivo dos alunos, mas pesquisas comprovam que as habilidades cognitivas são potencializadas quando se trabalham, simultaneamente, habilidades socioemocionais.

Professores relatam diversas dificuldades no desenvolvimento das práticas pedagógicas como: conteúdo extenso, muitas tarefas burocráticas (preenchimento de relatórios, planejamentos, avaliações, entre outros), indisciplina dos alunos, falta de reconhecimento profissional, etc. Considerando que cada aula tem aproximadamente 50 minutos, muitos professores relatam que o cenário realmente não é muito otimista para o cumprimento do planejamento e, por esse motivo, acreditam que trabalhar as habilidades socioemocionais aumenta a demanda e compromete o rendimento de seu trabalho.

Embora as condições não pareçam favoráveis, o professor do Século XXI precisa assumir um papel atuante no ensino, considerando que cada sala de aula tem necessidades diferentes, por isso algumas atitudes precisam ser analisadas como: pensar no tipo de aula que se tem oferecido, se ela proporciona o desenvolvimento de habilidades que os alunos utilizarão no futuro e se, de fato, ele tem sido um facilitador da aprendizagem, compreendendo as especificidades de cada aluno.

Segundo Howard Gardner (2000), cada indivíduo possui tipos diferentes de capacidades, as quais caracterizam sua inteligência. É muito importante perceber as capacidades dos alunos, compreendendo que cada um é único em sua forma de ser e aprender. Essa compreensão fará com que o professor seja múltiplo em suas estratégias de ensino, trazendo-lhe, certamente, satisfação profissional e pessoal, pois o maior desejo de um educador é constatar que foi protagonista do processo de aprendizagem de seus alunos.

Facilitar o aprendizado qualifica tanto o aluno, quanto o professor, o qual ampliará sua motivação sentindo-se cada vez mais realizado diante da sua escolha profissional. É importante ao professor cultivar um mindset de crescimento que se adapte às mudanças do mundo contemporâneo, sem sofrimento nem resistência e mover-se em busca do seu aperfeiçoamento contínuo, garantindo que o foco da educação seja preparar alunos para o futuro.

Para implementar as habilidades socioemocionais, deve-se analisar as próprias práticas pedagógicas e adaptá-las com base nas necessidades dos alunos, incluindo diferentes modos de ensino, tornando as aulas mais criativas, integrando a cada aula possibilidades que propiciem o desenvolvimento das habilidades cognitivas, emocionais e sociais.

Como, então, pode ser feita essa conexão?

Quando um professor de matemática traz problemas com frações, pode relacioná-los ao contexto social. Por exemplo: uma pizza deve ser dividida para cinquenta pessoas, então, qual a fração que representa cada pedaço? Isso ajudará os educandos a desenvolver habilidades sociais e compreender a equidade. Observe-se que foi possível ampliar os objetivos, sem aumentar a demanda de trabalho. O educador deve ter a consciência de que é um aprendiz vitalício, permanecendo atualizado e fazendo conexões com as preocupações nacionais e globais, fornecendo inputs para o pensamento crítico do aluno, para que ele tenha significação na aprendizagem e utilizem o conhecimento na vida.

Veja-se o exemplo: um aluno é convidado a resolver um exercício na lousa. Imagine como fica seu cérebro?  Com certeza como uma academia de ginástica, a todo o vapor, no que diz respeito a sua dimensão cognitiva, sua capacidade de interpretar, raciocinar e resolver problemas. Nesse momento, ele também pensa na possibilidade de errar e passar vergonha; seu coração só falta sair pela boca e sua mão está suada. Essas sensações dizem respeito a sua dimensão emocional. Ainda neste mesmo instante, ele pensa em como pode contribuir com os colegas, dando a resposta certa e sanando as suas dúvidas, o que significa que ele se coloca no lugar do outro, habilidade essencial, pertencente à dimensão social. Tudo acontece ao mesmo tempo: o aluno aciona as habilidades cognitivas, emocionais e sociais para resolver o exercício na lousa.

Por isso é importante que no processo de ensino e aprendizagem que essas dimensões complementem-se, retroalimentem-se e sejam vistas de forma integral. Por esse motivo, as habilidades socioemocionais precisam ser trabalhadas na escola, simultaneamente com as disciplinas que compõem o currículo escolar.

É preciso oportunizar aos alunos a aprendizagem de habilidades necessárias para que tenham sucesso neste mundo; é preciso que o professor seja facilitador e motivador no processo de ensino e aprendizagem, buscando sempre inovação e flexibilidade, além de carregar a certeza de que cada aluno tem muito a aprender e ensinar.


REFERÊNCIAS:
ANTUNES, Celso. Quanto vale um professor? Brasil: Vozes, 2011.
DAMASIO, Antonio. O livro da consciência: a construção do cérebro consciente. Portugal: Temas e Debates, 2010.
FOGAÇA, Luciana. Ser presente. São Paulo: Laboratório de Inteligências Múltiplas, 2018.
GARDNER, H. Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed, 2000.
LIM, Laboratório de Inteligências Múltiplas. Livro da família e escola. São Paulo: Laboratório de Inteligências Múltiplas, 2014.

Sobre o Autor

Administradora, Master coaching, autora do Ser Presente e responsável por liderar o processo de expansão do programa LIM.

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