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A mudança na cultura escolar

11 de dezembro de 2020 | Por: LIM Educação

O ensino remoto evidenciou a fragilidade de algumas práticas educativas e de alguns instrumentos que a escola tem privilegiado. Um deles foi o quadro de giz, visto como uma metáfora, substituído pela tela que os alunos utilizaram. O quadro de giz mostra o que o professor tem de saber e prescrever; os protagonistas da aula são o professor e o seu saber exposto no quadro de giz. O aluno precisa acompanhar o raciocínio do professor e apropriar-se dele; muitas vezes, só copiando, sem dar sentido próprio. As telas, os aplicativos, os canais e as plataformas mostraram possibilidades de protagonismo do aluno. Ele continua necessitando do professor como mediador, que o ajuda a transformar a informação em conhecimento, que seleciona os conteúdos, faz a separação do que é lixo e notícia falsa ou, ainda, aponta como pesquisar em fontes confiáveis; como também do professor que, ao trabalhar as informações, pauta-se em categorias de conhecimento como significação, totalidade, historicidade, criticidade, problematização, continuidade-ruptura, práxis etc.

Ao aluno, cabe o trabalho de dar sentido pessoal, e o fato de ele ter de protagonizar o processo de apropriação, tendo o professor como mediador qualificado, auxilia no êxito do complexo processo de ensinar/aprender.

Constatou-se que muitos alunos não conseguiram aprender com as aulas gravadas, por não estarem acostumados a pensar com autonomia intelectual e a regular a si mesmos. Porém, a vivência aconteceu com intensidade diferente e com repercussões diversas para cada um, mas a maioria viveu essa experiência, ou seja, muitos já conseguiram desenvolver processos autorregulatórios, mesmo que ainda insuficientes para aprender.

Será que o aluno vai voltar à escola, sentar em sua carteira e ficar quieto, ouvindo e vendo o professor dando a sua aula, depois da experiência vivida em casa?

A Equipe do LIM acha que o aluno vai para a escola mais desperto do seu papel como aluno e necessita encontrar um professor preparado para viver, considerar e gerenciar as diferentes experiências de aprendizagem vividas. Isso vai forçar uma mudança relacional entre o aluno e seu professor.

Uma conversa precisa acontecer na escola, tanto entre os professores, quanto entre os alunos.

Quantas coisas positivas aconteceram? Se os alunos não aprenderam tanto acerca de conteúdos formais, certamente avançaram em competências para resolver o seu cotidiano: cozinhar, arrumar a casa, ligar o computador e entrar na plataforma, ter desenvoltura tecnológica para pesquisas, melhorar as relações familiares (algumas famílias trouxeram inclusive seus idosos para casa), conhecer um pouco mais sobre seus familiares mais próximos, entender acerca do sofrimento humano, de cooperação, solidariedade, perdas, ganhos, diferenças.

Quantas coisas difíceis foram vividas? As perdas de entes queridos, de pessoas próximas, e as dificuldades: na convivência intensa, na divisão entre o trabalho e a casa, nas perdas financeiras, em atender a demanda das aulas on-line, em ficar frente às telas o dia inteiro, em não encontrar pessoalmente as pessoas queridas, em viver as incertezas da situação, em não saber quando essa situação vai terminar.

O que as aulas remotas ensinaram sobre você e seu estilo de aprender e/ou de ensinar?

Entende-se, também, que há outras perguntas a ser trabalhadas com os membros da comunidade educativa e que vão auxiliar na escolha dos novos caminhos estruturantes da escola pós-pandemia: O que fez bem no ensino remoto? O que mais fez falta no ensino presencial?

A primeira resposta parece muito fácil, já que todos viveram essa experiência: tudo que foi fácil de ensinar e a entrega de informação foram, na maioria, eficientes.

O que faltou e falta, ainda hoje, são as relações interpessoais, que favorecem as conexões e os vínculos entre o aluno e o objeto de conhecimento; com a mediação do professor, é isso que faz nascer a compreensão, o sentido que cada um atribui ao conteúdo trabalhado. Evidenciou-se que o grande valor da escola não está nas aulas gravadas, que a maioria dos professores e os youtubers fazem muito bem, mas no espaço afetivo-reflexivo que o face-a-face proporciona, no acolhimento que conforta, na escuta que potencializa o discurso, no olhar que encoraja, na pergunta que favorece a organização do pensamento e a construção das respostas, no que manifesta o sujeito que está aprendendo e, assim, vão se constituindo as evidências da aprendizagem transformadora.



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